A cultura do café apresenta desafios significativos na aplicação de defensivos agrícolas. A arquitetura densa da planta, o elevado índice de área foliar e o risco de deriva dificultam que a calda atinja uniformemente todas as folhas, especialmente nas partes internas e inferiores da copa.
Com isso, produtores buscam alternativas para melhorar a penetração da calda e reduzir desperdícios, e a pulverização eletrostática desponta como uma dessas soluções.
O Estudo
Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia avaliaram a deposição de calda em folhas de cafeeiro e as perdas para o solo, comparando diferentes tecnologias de pulverização:
- Pulverizador hidropneumático convencional (200 a 500 L/ha);
- Pulverizador hidropneumático com dutos de ar direcionado (Twister 1500);
- Pulverizador eletrostático SPE (130 L/ha).
As aplicações foram feitas utilizando o traçador Azul Brilhante para medir a deposição e a perda.
Resultados Principais
Maior deposição no terço inferior do cafeeiro com o pulverizador eletrostático;
O Twister 1500, com dutos de ar direcionado, teve melhor desempenho que o pulverizador convencional na parte média e baixa das plantas;
Perdas para o solo significativamente menores com o uso do sistema eletrostático;
O volume de calda usado nos pulverizadores convencionais não influenciou significativamente a deposição ou as perdas.
Por que o Eletrostático Funciona Melhor
A carga elétrica aplicada às gotas aumenta a atração pelas folhas, favorecendo a cobertura até em áreas de difícil acesso. Isso se traduz em:
- Melhor eficiência no uso de defensivos;
- Menor impacto ambiental pela redução da deriva e do escorrimento;
- Economia de água e agilidade operacional.
O trabalho confirma que a pulverização eletrostática pode aumentar a eficiência das aplicações no café, especialmente em regiões menos acessíveis da planta, ao mesmo tempo que reduz perdas para o solo.
Para o produtor, isso significa mais controle fitossanitário, menos desperdício e aplicações mais sustentáveis.